sábado, 1 de setembro de 2012

Ao lado do Tempo






Me tornei homem porque me tornei independente, antes de tudo. 
Não sou de frescura e muito menos de compulsões consumistas. 

Mas ainda tenho um lado mulherzinha: choro à beça, sou louca por flores, não vivo sem meus hidratantes, aprecio o cavalheirismo, gosto de ficar de mãos dadas no cinema, devoro revistas de moda, me interesso por decoração e fico chocada quando escuto expressões grosseiras.
Ah, e calço 36.




quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Guilherme de Almeida







Coração

Lembrança, quanta lembrançaDos tempos que já lá vão!Minha vida de criança,Minha bolha de sabão!Infância, que sorte cega,Que ventania cruel,Que enxurrada te carrega,Meu barquinho de papel?Como vais, como te apartas,E que sozinho que estou!Ó meu castelo de cartas,Quem foi que te derrubou?Tudo muda, tudo passaNeste mundo de ilusão;Vai para o céu a fumaça,Fica na terra o carvão.Mas sempre, sem que te iludas,Cantando num mesmo tom,Só tu, coração, não mudas,Porque és puro e porque és bom!




Guilherme de Almeida

(1890-1969)